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Agile vs Waterfall: qual a metodologia a seguir?

Quando se inicia um projecto, é sempre útil saber que metodologia de trabalho se vai usar, para que todos os envolvidos saibam os processos e as etapas que terão que cumprir.

Só que a comunicação digital é um ninho de buzzwords, que zumbem muito mas não são compreendidas por muita gente que as utiliza. É fácil pedir uma metodologia Scrum ou Kanban porque são a mais recente novidade usada pela concorrência mas, se não sabem o que são, faz tanto sentido como escolher comida a partir de um menu numa língua estrangeira que não se compreende: há o risco de pedirem qualquer coisa mais indigesta.

A divisão nas tendências actuais está entre duas denominações de metodologias de gestão de projectos que, como tudo, têm as suas vantagens e desvantagens, e podem ser as melhores ou as piores dependendo da realidade de cada projeto. Vamos dar uma ideia geral de cada uma para que tenham uma melhor noção da que vos será mais útil.

O que é Gestão de Projecto?

Um projecto é o conjunto de ações, que tem como objectivo criar um produto, serviço ou resultado únicos, num período finito e definido no tempo. A gestão de projecto é o que estabelece as ações a tomar nesse espaço de tempo para se atingir o objectivo final.

É aqui que entram as metodologias, que são a forma como essas ações são implementadas pelos vários elementos da equipa. Isto é importante porque torna o planeamento mais completo, define um calendário para cada etapa, aumenta a eficácia das ações pela definição clara dos seus objectivos, coloca toda a gente em sintonia, identifica riscos e alternativas, mantém o projecto dentro do orçamento previsto.

Mas tudo isto pode ser feito de mais formas do que se pode imaginar.

Agile Vs Waterfall

Vamos só falar destas duas, já que parecem ser as metodologias que estão na ponta da língua de muita gente.

Waterfall

É a metodologia mais tradicional de gestão de projecto e caracteriza-se por ser sequencial, ou seja, só se avança para a etapa seguinte depois de encerrada a anterior. É simples e a mais usada na gestão de projetos com uma sequência lógica.

A metodologia Waterfall implica sete fases diferentes, que não se sobrepõem, mas apenas se iniciam após a anterior estar terminada.

  1. Planeamento – é nesta fase que se define a estrutura geral do projecto, objectivos e calendarização.
  2. Análise – tendo em conta as exigências estabelecidas na fase anterior, decide-se o que produzir e como, com que materiais e recursos.
  3. Design – com a matéria prima (as ideias e os materiais a usar) definida e com objectivo e prazo estabelecidos, escolhem-se as formas de a trabalhar.
  4. Implementação – é quando começa a produção do produto ou serviço, a partir da informação criada nos pontos anteriores. Os programadores programam, os designers desenham, os criativos criam, a matéria prima ganha forma.
  5. Verificação – o trabalho criado na fase anterior é testado. Imaginem que são produtores de cinema e esta é a fase em que fazem as pré-visualizações do vosso filme com públicos seleccionados para analisar as suas reações. É nesta etapa que avaliam o trabalho final e corrigem o que for necessário.
  6. Lançamento – colocação do produto ou serviço ao dispor dos vossos clientes.
  7. Manutenção – a fase em que se trabalha para que não hajam falhas e se melhora o que pode ser melhorado.

Como podem ver, metade do processo é planeamento que, provavelmente, é a parte mais importante desta metodologia.

As vantagens deste método são uma maior simplificação de processos graças ao planeamento exaustivo, que clarifica o que fazer, quando e por quem. As etapas bem definidas ajudam a estabelecer uma progressão clara do projecto no tempo e, apesar de se passar muito tempo até chegar à fase de produção, poupa-se tempo porque tudo está definido de antemão.

O que acaba por ser a desvantagem deste processo: nem todos os projectos podem ser planeados ao pormenor antes da execução (um arranha céus tem um plano que se mantém inalterado durante a sua construção, mas um documentário não), não há espaço para improvisos ou alterações de última hora, e, se o planeamento inicial estiver errado, os custos serão mais elevados já que terão que recuar algumas etapas.

A metodologia Waterfall assenta no planeamento cuidado para uma execução bem definida. E isso pode ser o ideal para criarem o vosso site mas não a vossa app, por exemplo.

Agile

A metodologia Agile engloba diversos tipos de metodologias com algumas especificidades e variações, mas todas seguem a mesma lógica: pegar na ideia inicial, apresentar qualquer coisa logo, testar, refazer. É uma atitude que vem da programação, em que os programadores tinham que apresentar uma versão funcional rapidamente de um software, por mais tosca que fosse, para testar o conceito.

Em vez de ser linear, o Agile baseia-se em ciclos de repetição, em que várias etapas decorrem em simultâneo. As etapas fundamentais das metodologias que se encontram sob a lógica Agile são:

  1. Planear
  2. Fazer
  3. Lançar
  4. Aprender
  5. Repetir

A ideia é passar rapidamente para a fase de produção, testar, falhar, melhorar, repetir o processo. Beckett dá o mantra: “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”. Até acertar. Cada um destes ciclos ou sprints acontecem nas várias unidades do projecto em simultâneo.

Voltando à metáfora dos filmes:

  • a metodologia Waterfall funciona bem para um filme de ficção, que segue um guião bem definido, com lista de planos, cenários, que pode sofrer alterações mínimas ao longo das filmagens, mas que tem desde o início uma boa previsão do produto acabado.
  • Agile é se calhar mais orientado para um documentário, que segue uma premissa inicial – uma pergunta a que se quer dar resposta, mas que pode ser radicalmente alterado à medida que se vai descobrindo mais informação e personagens nos terreno. O filme vai-se definindo à medida que vai sendo feito.

As vantagens do Agile estão num maior envolvimento do cliente que terá que estar pronto para fazer parte do processo, e em permanente comunicação com a equipa. A fasquia de qualidade em cada ciclo de produção pode ser elevada já que têm uma visão parcelar do projecto em vez de uma geral e, ao dar espaço à experimentação, criam a possibilidade de inovação, para além dos ciclos de repetição permitirem uma evolução mais rápida.

As desvantagens implicam riscos de incumprimento de prazos e de orçamento maiores, já que envolvem núcleos de produção diferentes que irão produzir a velocidades diferentes. A comunicação é mais complexa para que todos estejam a fazer o seu trabalho e a par do trabalho dos outros para que as peças possam encaixar. E, por muito definida que achem que a vossa ideia esteja desde o início, podem acabar com um produto muito diferente do previsto. E isso pode não ser bom.

A metodologia Agile, nas suas várias encarnações, exige também muito dos clientes, que precisam de acompanhar em permanência todas as alterações e novidades que estão a acontecer constantemente durante a produção. E não há muitos com tempo para isso.

Qual metodologia escolher?

Acima de tudo, não vão em modas. Não há metodologias melhores do que outras, há as que são mais eficazes para o vosso projecto e para as pessoas que o vão desenvolver.

Quando vão a um médico é por causa do conhecimento e ferramentas que essa pessoa tem e que a maioria de nós não tem. Não vão ficar por cima do ombro dele para lhe dizer o que fazer, vão ter que confiar no seu método. Quando contratam uma empresa para desenvolver o vosso projeto, vão ter que fazer o mesmo. Além disso, há mais metodologias para além destas que podem ser melhores para vocês.

Conheçam o nosso método. Falem connosco.

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